Livro acadêmico estuda efeitos de ataque de zumbis no mundo

Depois de atacar a cultura pop, os cinemas e a literatura, os zumbis agora estão se tornando um assunto sério. A prova disso é que um respeitado professor de política internacional passou meses analisando de forma profunda o impacto que o aparecimento de mortos-vivos teria nas relações exteriores. Depois de misturar o que chama de “cânone” desse tipo de ficção com as principais teorias de relações internacionais, Daniel Drezner, da universidade Tufts, diz que apenas parte do mundo estaria pronta para lidar com os efeitos de um hipotético ataque zumbi.

Leia a introdução do livro (em inglês)

“Olhando de forma séria, os mortos-vivos são como qualquer outro choque sistêmico global, como uma pandemia ou o próprio aquecimento global. Os países mais ricos e avançados, as maiores potências, provavelmente estariam prontos para lidar bem com este problema”, disse Drezner, em entrevista ao G1. A tese dele é parte do livro “Principles of international politcs and zombies” (Princípios de política internacional e zumbis), que vai ser publicado em 2011 pela editora da Universidade Princeton, nos Estados Unidos. “É um livro que tenta ser ao mesmo tempo sério e engraçado”, explica.
Seu trabalho teve início depois de ele ler um estudo de matemáticos do Canadá, avaliando pandemias, analisando os zumbis como um agente patógeno e mostrando que, a menos que destruíssemos os zumbis muito rapidamente, a civilização como conhecemos iria acabar. “Percebi que no trabalho não se falava em política, e achei que era preciso analisar as questões de política internacional.” Ele então fez esta análise em um texto no site da revista “Foreign Policy”. “Estava sendo ao mesmo tempo sério e bobo. Mas houve uma reação imensa, com vários colegas que ensinam relações internacionais achando uma ótima forma de atrair a atenção dos estudantes. A verdade é que os jovens de 18 anos sabem mais sobre zumbis do que sobre relações internacionais. Esta é uma forma de prender a atenção deles.”

A pesquisa dele usou como base os trabalhos existentes sobre “política de desastre”, que é como os estados respondem a problemas parecidos com zumbis, como pandemias, furacões, terremotos, bioterrorismo. “Tive que pensar em uma atualização disso para um problema global no século XXI. O livro é obviamente escrito para fazer as pessoas rirem, mas foi escrito de uma forma completamente séria. Eu defendo publicamente tudo o que escrevi, pois fiz uma pesquisa séria.”

Brasil

Segundo Drezner, o Brasil provavelmente não estaria entre os países mais afetados por um possível ataque de mortos-vivos. “Os países mais pobres, os estados falidos, provavelmente sofreriam mais. Mas o Brasil é uma potência ascendente, e provavelmente conseguiria evitar um problema maior com os zumbis.”

Ele alega, entretanto, que isso depende do local em que este problema surgisse. “Se tudo começasse no hemisfério oriental, o Brasil e o continente americano como um todo teriam mais tempo para se preparar e reagir. Se começasse, entretanto, numa favela do Rio de Janeiro, então o problema para o Brasil seria bem maior”, diz.

Em “Guerra Mundial Z”, ficção escrita por Max Brooks que Drezner diz ser “a descrição mais realista de como seria um ataque zumbi na terra”, os primeiros zumbis aparecem na China, mas não demora para que sejam registrados casos no Rio de Janeiro. No livro, que se propõe uma história oral da guerra contra os mortos-vivos, o primeiro zumbi no Brasil surge depois que uma clínica clandestina faz um transplante de coração usando um órgão contrabandeado (e infectado) da China em um austríaco.

‘Risco real’

Por conta da “moda” dos zumbis na ficção pop, já houve trabalhos científicos analisando as possibilidades reais de um ataque de zumbis. Segundo Drezner, que estudou quase tudo o que já se escreveu sobre os mortos-vivos, “as conclusões mais aprofundadas mostram que a existência de zumbis é um pouco mais provável de que a de vampiros. Por isso defendo que devemos dar mais atenção a zumbis de que a vampiros”.

Ele diz, entretanto, que em um debate sobre política internacional no caso de um ataque de zumbis, as causas e o tamanho real do risco são menos relevantes. “Há teorias muito heterogêneas sobre o que poderia causar este tipo de coisa e, independentemente da origem do problema, ações de prevenção não funcionariam, e seria preciso remediar, lutar contra ele. A questão que é mais importante é que, se isso acontecer em qualquer lugar, vai se tornar imediatamente um sério problema de segurança de fronteiras.”

Segundo o professor, zumbis são um exemplo clássico do que os departamentos de inteligência dos Estados Unidos chamam de “desconhecidos desconhecidos”, que são ameaças não-antecipadas para as quais o governo quer está preparado. “Depois do 11 de Setembro, houve um contato do governo americano com Hollywood. Por causa da surpresa do ataque, a inteligência americana começou a procurar meios de criação, buscando formas de se preparar para lidar com ameaças não-antecipadas. Zumbis são um exemplo clássico de “desconhecido desconhecido” em segurança e política internacional.”

Ele diz que, por conta desse estado de alerta permanente, o mundo reagiria melhor a qualquer ataque zumbi de que a ficção costuma mostrar. “O cânone zumbi é muito pessimista a respeito da reação do mundo. Eles costumam mostrar que em pouquíssimo tempo os zumbis já destruíram o planeta. Acho que isso não aconteceria dessa forma, e as pessoas saberiam reagir melhor de que na ficção”, defende.

Drezner disse ter tido esperança que as informações de despachos diplomáticos vazados pelo site WikiLeaks trouxessem alguma informação sobre zumbis. Sem que nada assim tenha aparecido, ele diz, entretanto, que a transparência desse tipo de vazamento ajudaria a acelerar a reação contra o ataque dos mortos-vivos.

Fonte: G1

Sobre Anica

Bacharel em Estudos Literários pela UFPR, Especialista em Ensino de Línguas Estrangeiras Modernas pela UTFPR, professora de Língua Inglesa e mãe. Tem uma quedinha descarada por filmes e livros de horror, de preferência os com zumbis. Pode ser encontrada também no .:Hellfire Club:., no Ministry of Zombie Walks e no Blog do Arthur.

Comentários

  1. Muito legal o blog. Já tinha visto na lista do megadodo :)

    Agora, sejam pessoas legais e disparem o feed completo! :D

  2. Paulo Brito diz:

    Eu também acho que uma “Epidemia Zumbi” não se alastraria tão facilmente quanto mostrado nos filmes, dependendo obviamente da forma de transmissão e do tempo de incubação. Acho praticamente impossível um vírus ressucitar um morto – e mais impossível ainda esse morto juntar-se a outros mortos, para perambular por aí em uma busca específica por carne humana (sem nenhum nível de consciência, sem dormir, sem beber água, sem sentir dor, etc). O zumbi tradicional é mera obra de ficção, criada somente para o entretenimento(inclusive na versão Romero 2.0, do filme “Madrugada dos Mortos”).
    Acho que o maior risco seria o de um vírus de uma espécie de “Super Raiva”, como mostrado em “28 days Later” (O Extermínio, no Brasil), embora eu ache muito improvável uma incubação tão rápida – no filme, o infectado se transforma em poucos segundos, mas na vida real levariam no mínimo algumas horas. Um outro filme muito interessante é o “I am Legend”, embora também não faça sentido um Zumbi com tamanha força.
    Pessoalmente vejo que o maior risco de qualquer epidemia, sendo ela “zumbi” ou não, seria o pânico generalizado da população. Se uma epidemia se alastrasse e durasse mais que alguns dias, haveria falta de energia elétrica e de outros serviços essenciais (hospitais, polícia, bombeiros, etc), todos os comércios e serviços fechariam, causando um caos completo nas ruas das grandes cidades: pessoas matando por comida ou água, saques em massa, assassinatos generalizados, etc. A vida em uma cidade grande seria um verdadeiro inferno, já que as ruas estariam bloqueadas por carros parados, e grupos de pessoas ariscas por todos os lados lutando pela sobrevivência (nos condomínios, nos prédios, nas empresas, etc). O maior risco seriam os vivos, e não os zumbis (e alguns filmes mostram isso).
    Ao sinal e confirmação de uma epidemia, acho que a melhor estratégia é viajar já nas primeiras horas para locais distantes e isolados (antes de as estradas se entupirem de carros), buscando abrigo em uma fazenda (Mato Grosso, por exemplo), de preferência em meio a um grupo de pessoas, de modo a proteger o perímetro (dos vivos e dos zumbis) e acompanhar as notícias. Talvez leve algumas semanas para a contenção da epidemia e restauração da ordem, e até lá, uma fazenda geralmente oferece água (poços ou rios), peixes, frutas ou animais para caça.

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